
Os dados pessoais roubados estão a ser transacionados com uma facilidade crescente em mercados digitais clandestinos, onde uma identidade completa pode ter um preço surpreendentemente baixo. A lógica de oferta e procura estende-se hoje a informação sensível, transformada em ativo económico à escala global.
Uma análise conduzida pela NordVPN, em parceria com a plataforma NordStellar, examinou milhares de anúncios na dark web e identificou padrões consistentes na venda de dados pessoais roubados. Portugal surge numa posição intermédia, com valores que refletem uma disponibilidade moderada deste tipo de informação.
Dados pessoais roubados com preço definido
Os dados mostram que um cartão de pagamento português pode ser vendido por cerca de 11 dólares. Já um pacote completo de identidade — conhecido como “fullz” — ronda os 90 dólares, incluindo elementos suficientes para assumir a identidade de um indivíduo.
Documentos individuais seguem a mesma lógica: passaportes custam cerca de 35 dólares, enquanto cartas de condução e cartões de identificação apresentam valores próximos dos 34 dólares. Neste cenário, os dados pessoais, quando roubados, são tratados como ativos com valor definido.
Contas digitais: entre o acesso e o valor
Os preços variam consoante o tipo de conta. Serviços de streaming estão entre os mais acessíveis: uma conta Netflix custa cerca de 4,55 dólares, enquanto o Spotify pode atingir os 28 dólares.
As redes sociais mantêm um valor relevante, com contas do Facebook a rondar os 38 dólares. Já no universo das criptomoedas, os preços são significativamente mais elevados. Contas comprometidas podem ultrapassar os 100 dólares, refletindo o acesso direto a ativos financeiros.
Dados pessoais roubados e o peso do e-mail profissional
Um dos aspetos mais relevantes prende-se com o valor das credenciais profissionais. Contas de e-mail pessoais podem ser vendidas por cerca de 1 dólar, mas acessos a contas corporativas ultrapassam frequentemente os 25 dólares.
Esta diferença está associada ao potencial de entrada em redes empresariais. Neste contexto, os dados pessoais roubados deixam de representar apenas um risco individual e passam a constituir uma vulnerabilidade organizacional.
Oferta global e impacto nos preços
Mais de 70% dos cartões de pagamento disponíveis têm origem na América do Norte, o que contribui para a descida dos preços devido ao elevado volume. Em regiões onde os dados são menos frequentes, os valores tendem a ser mais elevados.
Na Europa, os cartões representam cerca de 20% das listagens globais. Portugal ocupa o 14.º lugar, evidenciando a sua presença neste ecossistema digital.
Exposição e circulação de dados pessoais
A circulação de dados pessoais roubados ocorre frequentemente sem conhecimento dos titulares. Mesmo fragmentada, esta informação pode ser agregada e utilizada para diferentes finalidades ilícitas.
A ausência de sinais visíveis contribui para uma perceção reduzida do risco, apesar da dimensão global do fenómeno.
Reduzir a exposição ao risco
Algumas práticas podem contribuir para limitar a exposição:
- Utilização de palavras-passe únicas
- Ativação de autenticação multifator
- Monitorização regular de contas e transações
- Redução da partilha de informação pessoal
- Utilização de ferramentas de deteção de exposição
Metodologia
O estudo analisou cerca de 75 mil anúncios publicados entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026 em vários mercados da dark web. Após filtragem, foram considerados mais de 28 mil anúncios únicos, organizados por categorias e geografias, com preços normalizados em dólares.
A metodologia completa pode ser consultada em: https://nordvpn.com/pt/research-lab/dark-web-market/






















