
O Moscatel de Setúbal Torna Viagem, voltou a embarcar no Navio‑Escola Sagres, numa edição que assinala o bicentenário da José Maria da Fonseca e reforça a ligação histórica entre o vinho português e as grandes rotas marítimas. A viagem, iniciada a 30 de abril, prolonga‑se até 23 de agosto, recuperando uma prática secular que marcou a identidade deste vinho.
Nesta 9.ª edição seguiram a bordo uma barrica de 600 litros e uma meia barrica de 225 litros de Moscatel de Setúbal 2023. Ao longo de quatro meses, estes 825 litros ficarão sujeitos às condições próprias da navegação — variações de temperatura, humidade e movimento constante — que influenciam a evolução do vinho e lhe conferem maior complexidade aromática. O resultado é sempre limitado e irrepetível, razão pela qual estas edições são particularmente procuradas por colecionadores e apreciadores.
A tradição do Torna Viagem remonta ao século XIX, quando navios comerciais transportavam cascos de Moscatel de Setúbal para destinos como o Brasil, África ou Índia. Nem sempre vendidos na totalidade, regressavam a Portugal após atravessarem diferentes climas e cruzarem a linha do Equador. Ao serem abertos, revelavam um vinho surpreendentemente mais expressivo — uma transformação atribuída ao percurso marítimo. Foi esse legado que levou a José Maria da Fonseca, em 2000, a retomar a prática em parceria com a Marinha Portuguesa e o Navio‑Escola Sagres.
A rota deste ano incluí uma passagem por Nova Iorque, onde o navio irá participar em iniciativas de apoio à candidatura de Portugal a Membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, e uma escala nas Bermudas para assinalar o Dia de Portugal junto da comunidade portuguesa. No regresso à Europa, o Navio-Escola Sagres irá parar na Praia da Vitória e em Ponta Delgada, nos Açores, antes de regressar à Base Naval de Lisboa.
“Há sempre uma enorme expectativa quando confiamos as nossas barricas ao tempo e ao mar. Esta iniciativa secular lembra‑nos que, tal como nós, também o vinho se transforma nas viagens que faz”, afirma António Maria Soares Franco, Co‑CEO da José Maria da Fonseca. E é precisamente essa transformação — lenta, natural, imprevisível — que torna cada Torna Viagem uma peça única.
Quando regressar a Portugal Continental, parte deste vinho dará origem a uma edição comemorativa dos 200 anos da José Maria da Fonseca, prevista para 2034. Será o resultado de um processo de envelhecimento natural em que o oceano volta a desempenhar um papel determinante — uma forma de honrar a história da casa e, ao mesmo tempo, projetar o futuro de um dos vinhos mais emblemáticos do país.






















