Início Cultura Nacional Centenário do Teatro Variedades: um século de cultura, memória e futuro no...

Centenário do Teatro Variedades: um século de cultura, memória e futuro no Parque Mayer

O centenário do Teatro Variedades reúne teatro, dança, cinema, literatura e uma exposição para celebrar um dos palcos históricos de Lisboa.

Fachada do edifício onde decorrem as comemorações do centenário do Teatro Variedades, no Parque Mayer.
O Teatro Variedades celebra 100 anos com uma programação especial dedicada à história, à memória e ao futuro de um dos palcos mais emblemáticos do Parque Mayer. - ®DR

Há edifícios que resistem ao tempo e há palcos que ajudam a contar a história de um país. O Teatro Variedades pertence a essa segunda categoria. No dia 8 de julho, o centenário do Teatro Variedades transforma uma data simbólica numa celebração da cultura portuguesa, reunindo teatro, dança, literatura, cinema e uma exposição dedicada à memória de uma das salas mais emblemáticas do Parque Mayer.

Inaugurado em 1926, o Teatro Variedades acompanhou a evolução do espetáculo em Portugal, acolhendo revistas, operetas, comédias, teatro declamado e alguns dos nomes mais marcantes da cena artística nacional. Depois da reabertura, em outubro de 2024, o espaço inicia agora um novo capítulo, mantendo a identidade que o tornou uma referência da cidade de Lisboa. O programa preparado para o centenário do Teatro Variedades pretende precisamente estabelecer essa ligação entre o passado, o presente e o futuro.

Centenário do Teatro Variedades recupera um século de história

As comemorações começam às 13h30 com uma visita guiada ao edifício renovado pelo arquiteto Manuel Aires Mateus. A iniciativa permite conhecer bastidores, acessos de cena e áreas técnicas normalmente inacessíveis ao público, revelando o funcionamento de uma sala de espetáculos e a sua relação com a vida cultural lisboeta.

Ao final da tarde é apresentado o livro 100 Anos de Variedades, da jornalista e investigadora Paula Gomes Magalhães. A obra revisita a história do teatro desde a inauguração até à atualidade e analisa a importância do espaço na afirmação do Parque Mayer como centro de criação artística e entretenimento. Integrado nas comemorações do centenário do Teatro Variedades, o lançamento constitui também um contributo para preservar a memória de um palco que atravessou diferentes gerações de artistas e espectadores.

Segue-se a inauguração da exposição Um Lugar chamado Variedades, coproduzida com o Museu de Lisboa. A mostra reúne fotografias, objetos, documentos e testemunhos de quem viveu o teatro ao longo dos últimos cem anos, oferecendo uma perspetiva sobre a evolução do espetáculo em Portugal. Entre os destaques encontra-se a participação da cantora Cláudia Pascoal, que recria seis canções apresentadas originalmente nesta sala, entre elas “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”.

Um programa que cruza diferentes expressões artísticas

A programação do centenário do Teatro Variedades estende-se depois à fachada do edifício, onde Magalie Lanriot e Morgane Stephan apresentam AXIS, um espetáculo de dança vertical que transforma a arquitetura do teatro num elemento cénico e explora a relação entre o corpo, o espaço urbano e a gravidade.

Às 20h sobe ao palco VARIEDADES (…como uma ópera bufa erótica e satírica), criação de Fernando Heitor, Flávio Gil e João Paulo Soares concebida especialmente para assinalar o centenário do Teatro Variedades. O espetáculo percorre cem anos de história através de personagens inspiradas no universo do Parque Mayer e integra igualmente a programação do Festival de Almada.

A celebração termina com a exibição do filme O Parque das Ilusões, realizado por Perdigão Queiroga em 1963 e recentemente digitalizado pela Cinemateca Portuguesa. A sessão marca o início do ciclo Rostos do Variedades, dedicado a intérpretes cuja carreira ficou profundamente ligada ao teatro, entre eles Beatriz Costa, Milú, Laura Alves, António Silva, Maria Matos, Hermínia Silva e Ribeirinho.

Um teatro renovado para os próximos cem anos

Ao longo da sua história, o Teatro Variedades ultrapassou incêndios, períodos de encerramento e sucessivas transformações da vida cultural portuguesa. A reabertura do edifício, em 2024, devolveu ao Parque Mayer uma das suas salas mais emblemáticas, agora preparada para receber produções contemporâneas sem perder a ligação ao património artístico que a distingue.

As iniciativas organizadas para o centenário do Teatro Variedades procuram preservar essa memória coletiva enquanto reforçam a vocação do espaço para acolher diferentes linguagens das artes performativas. Um século depois da inauguração, o teatro continua a afirmar-se como um lugar de encontro entre artistas, públicos e gerações, demonstrando que a história se constrói tanto pela lembrança do passado como pela capacidade de criar novos capítulos.

O centenário do Teatro Variedades assinala, assim, uma etapa marcante na vida de um dos palcos históricos de Lisboa, celebrando cem anos de cultura e projetando o futuro de uma instituição que permanece ligada à identidade artística da cidade.

aNOTÍCIA.pt