
Muito antes de abrir portas como restaurante, o edifício onde hoje funciona o Palácio Chiado já ocupava um lugar de destaque na história de Lisboa. Residência da aristocracia, palco de bailes e concertos, casa do Conde de Farrobo e residência oficial do general Junot durante a primeira invasão francesa, o antigo Palácio Quintela atravessou mais de dois séculos de transformações antes de iniciar um novo capítulo, em 2016, dedicado à gastronomia.
É precisamente essa ligação entre passado e presente que serve de ponto de partida para a celebração do 10.º aniversário do Palácio Chiado. Durante o mês de julho, o restaurante assinala a data com uma carta especial criada pelo chef André Pinto, que recupera duas das influências gastronómicas presentes nos primeiros anos do projeto: a cozinha mediterrânica e a japonesa.
Palácio Chiado preserva a história de um edifício ligado à cidade
Reconstruído no final do século XVIII, o antigo Palácio Quintela tornou-se um dos principais locais de encontro da sociedade lisboeta. Entre os seus proprietários destacou-se Joaquim Pedro de Quintela, mais tarde Conde de Farrobo, conhecido pelos bailes, concertos e receções que organizava. A dimensão dessas celebrações acabaria por associar o seu nome à expressão “farrobodó“, ainda hoje utilizada para descrever festas de grande dimensão.
O edifício voltaria a assumir um papel relevante durante a primeira invasão francesa, quando o general Junot ali instalou a sua residência oficial. As receções promovidas nesse período são frequentemente associadas à origem da expressão “à grande e à francesa”, que permanece no vocabulário português.
Ao longo dos anos, o palácio conheceu diferentes proprietários e utilizações. Entre eles destacou-se António Augusto Carvalho Monteiro, conhecido como “Monteiro dos Milhões”, responsável pela Quinta da Regaleira, em Sintra. Mais tarde, acolheu o Museu Instrumental Português e o IADE, mantendo uma ligação contínua às artes, à cultura e ao ensino.
Depois de um projeto de recuperação arquitetónica, o edifício abriu como restaurante em 2016, preservando frescos, vitrais e outros elementos que testemunham a sua evolução ao longo dos séculos.
Palácio Chiado recupera sabores dos primeiros anos do restaurante
Para assinalar os 10 anos de atividade, o Palácio Chiado apresenta uma carta inspirada nas propostas que marcaram a fase inicial do restaurante. A seleção foi concebida pelo chef André Pinto e recupera duas influências gastronómicas presentes desde a abertura: a cozinha mediterrânica e a japonesa.
A entrada é composta por burrata com nectarina grelhada, tomate e frutos secos, recorrendo a ingredientes da estação. Como prato principal, a proposta passa por um chirashi de atum e lírio com gema curada em soja e sésamo, um prato tradicional da gastronomia japonesa servido sobre arroz e preparado com peixe fresco e diferentes acompanhamentos.
Segundo o restaurante, a carta revisita algumas das referências gastronómicas dos primeiros anos do projeto, reinterpretadas de acordo com a abordagem atual da cozinha. As propostas podem ser harmonizadas com uma seleção de vinhos brancos escolhida para acompanhar esta edição comemorativa.
Palácio Chiado assinala uma década de atividade
Ao celebrar dez anos enquanto restaurante, o Palácio Chiado recupera parte da sua própria história gastronómica num edifício que continua a ocupar um lugar relevante no património da cidade. A carta comemorativa estará disponível durante o mês de julho e assinala uma década de atividade do restaurante, estabelecendo uma ligação entre a memória do projeto e a história do antigo Palácio Quintela.
A história do Palácio Chiado continua, assim, a escrever novos capítulos. Se durante séculos os seus salões ficaram ligados à aristocracia, à cultura e à vida social lisboeta, hoje é também à mesa que esse legado se mantém vivo, através de uma cozinha que revisita o passado sem deixar de acompanhar o presente.






















