
Entre canções que atravessam gerações, ritmos africanos, hip-hop, música urbana e funk brasileiro, o festival Sol da Caparica viveu dois dias marcados pela diversidade. Depois de João Pedro Pais, Calema, Mizzy Miles e Veigh, o recinto voltou a encher-se para receber Mundo Segundo & Sam The Kid, Nininho Vaz Maia, MC Kevinho e Deejay Telio.
A proximidade da praia e o ambiente de verão ajudam a explicar parte da identidade do festival Sol da Caparica, mas a música é apenas uma das dimensões da experiência. No terceiro dia, feriado de 15 de agosto, o Parque Urbano da Costa da Caparica encheu cedo, reunindo grupos de amigos, públicos mais jovens e famílias que aproveitaram a tarde e o pôr do sol antes dos concertos.
O resultado foi um ambiente descontraído e heterogéneo, onde diferentes gerações encontraram motivos para ficar pelo recinto durante várias horas.
Festival Sol da Caparica cruza gerações no palco principal
O segundo dia tinha já mostrado essa diversidade. João Pedro Pais levou ao palco canções que fazem parte da memória de várias gerações, num concerto baseado nos seus mais de 25 anos de carreira.
“Civilização”, “Louco”, “A Nossa Hora”, “Não Há”, “Havemos de Lá Chegar” e “Mentira” fizeram parte de um repertório reconhecido pela plateia, que acompanhou muitas das canções em coro.
A participação dos Calema, no festival Sol da Caparica, mudaram o ritmo da noite. António e Fradique Mendes levaram ao palco a sonoridade africana que tem marcado o percurso da dupla de São Tomé e Príncipe. “Maria Joana”, “A Nossa Vez”, “Te Amo” e “A Nossa Dança” foram alguns dos momentos que transformaram o recinto numa pista de dança.
Mizzy Miles trouxe depois a energia da nova música urbana portuguesa. Entre bailarinos, referências internacionais, mosh e interação com o público, o artista construiu uma atuação particularmente dinâmica. “Champions League”, “Estrada”, “On Est Là” e “Fim do Nada” estiveram entre os momentos do concerto.
A noite terminou com Veigh, que apresentou na Costa da Caparica uma das faces mais atuais do trap brasileiro. “Novo Balanço”, “Engana Dizendo Que Ama” e “Clickbait” fazem parte do repertório recente do artista, que encontrou sobretudo entre o público mais jovem uma plateia familiarizada com a sua linguagem musical.
Festival Sol da Caparica transforma o recinto numa festa
No terceiro dia, a diversidade voltou a estar no centro da programação. O ambiente começou a ganhar força ainda durante a tarde, com o recinto a receber um público numeroso num dia de feriado.
Fora dos palcos, a experiência prolongou-se por diferentes áreas dedicadas ao skate, grafíti, dança e gastronomia lusófona. A programação paralela ajudou a criar um ambiente de festival que não dependia apenas dos horários dos concertos.
No palco principal, Vizinhos deram início à noite, antes de Mundo Segundo & Sam The Kid assumirem o palco para uma atuação dedicada ao hip-hop português.
A presença dos dois nomes representou também um encontro entre diferentes momentos da história da música urbana nacional. O público acompanhou vários dos temas em coro, transformando o concerto numa celebração coletiva do rap português.
Festival Sol da Caparica recebe Nininho Vaz Maia
Nininho Vaz Maia foi um dos momentos mais calorosos do terceiro dia. A sua música, que cruza pop e referências da tradição cigana, criou uma relação particularmente próxima com a plateia.
O ambiente diante do palco foi de grande participação, com o público a acompanhar as canções e a transformar o concerto num coro coletivo.
A atuação mostrou também como o cartaz consegue aproximar universos musicais diferentes. Depois do hip-hop de Mundo Segundo & Sam The Kid, Nininho Vaz Maia trouxe uma sonoridade distinta, mas encontrou igualmente uma plateia disponível para cantar e acompanhar o espetáculo.
MC Kevinho leva o funk brasileiro à Costa da Caparica
A noite ganhou outra velocidade com MC Kevinho. O artista brasileiro levou ao palco do festival Sol da Caparica,a energia do funk paulista, apoiada por coreografias, batidas fortes e um espetáculo pensado para manter o público em movimento.
O recinto transformou-se novamente numa grande pista de dança, num dos momentos de maior intensidade do terceiro dia.
A presença de MC Kevinho reforçou ainda a dimensão lusófona e internacional do cartaz do festival do Sol da Caparica que ao longo dos dias tem aproximado artistas portugueses, brasileiros e africanos através de diferentes linguagens musicais.
Deejay Telio prolonga a festa pela noite dentro
Coube a Deejay Telio fechar a programação principal. O artista manteve o ritmo com uma seleção marcada pelos sons afro-pop e por temas conhecidos do público.
A atuação prolongou a energia da noite até perto das duas da manhã, mantendo muita gente no recinto apesar das horas.
Ao longo destes dois dias, o festival Sol da Caparica revelou assim uma das suas principais características: a capacidade de juntar públicos diferentes sem ficar preso a um único género musical.
João Pedro Pais encontrou uma geração que cresceu com as suas canções, os Calema levaram ritmos africanos à plateia, Mizzy Miles e Veigh representaram diferentes faces da música urbana e, no terceiro dia, Mundo Segundo & Sam The Kid, Nininho Vaz Maia, MC Kevinho e Deejay Telio voltaram a cruzar gerações e geografias.
Música, dança e ambiente no Festival Sol da Caparica, o festival à beira-mar
A experiência do festival estende-se, por isso, muito para além do palco principal. Entre a música, a dança, o skate, o grafíti, a gastronomia e a proximidade da praia, o recinto ganhou uma dinâmica própria ao longo do dia.
O pôr do sol acrescentou outro cenário à festa, enquanto a presença de famílias e grupos de amigos deu ao espaço uma dimensão particularmente diversificada.
Depois de dois dias marcados por diferentes gerações e linguagens musicais, o festival Sol da Caparica, entra agora na reta final.
Este domingo, 16 de agosto, o Palco Via Verde recebe Quim Barreiros, ÁTOA, MC Paiva, Slow J e Lon3r Johny. O Palco Sagres mantém a programação com DJ e música urbana, encerrando quatro dias de concertos e atividades na Costa da Caparica.
O terceiro dia deixou, assim, no festival Sol da Caparica, uma plateia particularmente participativa e uma sucessão de concertos que confirmou a diversidade como uma das marcas desta edição.






















