
Há uma Lisboa que se revela quando a música deixa as salas de espetáculo, o cinema abandona as paredes convencionais e a cultura ocupa os espaços onde a cidade habitualmente circula. É essa cidade ao ar livre que as Festas na Rua voltam a desenhar entre 4 de setembro e 4 de outubro, cruzando música, cinema e diferentes expressões culturais em praças, jardins, parques e mercados.
O programa acompanha a passagem do verão para o outono e encontra na Ginkgo biloba a inspiração cromática desta edição. O amarelo vibrante das folhas marca simbolicamente essa mudança de estação e acompanha um calendário que distribui as Festas na Rua por diferentes zonas de Lisboa, aproximando propostas culturais de públicos e territórios distintos.
Festas na Rua começam no Vale do Silêncio
Nos Olivais, o Vale do Silêncio recebe a abertura, num fim de semana marcado pela diversidade musical. A sexta-feira, 4 de setembro, fica reservada ao espetáculo Divas Pop, concebido para este espaço e interpretado pela Orquestra Pop Portuguesa, dirigida pelo maestro Jan Wierzba. Cuca Roseta, Iolanda, Mimicat e Susana Félix juntam-se ao projeto para revisitar canções marcantes da música pop nacional e internacional.
No sábado, 5 de setembro, o Coro e Orquestra Gulbenkian apresenta um programa de repertório clássico dos séculos XIX e XX. Cerca de 150 músicos, sob direção da maestra Alena Hron, interpretam obras de Bizet, Puccini, Verdi, George Gershwin e Florence Price.
Música, cinema e cidade nas Festas na Rua
A Praça do Comércio será outro dos grandes pontos de encontro. A Festa na Praça regressa a Lisboa no dia 12, depois de uma década de intervalo, com artesanato, gastronomia e música. NAPA, Mariza e um DJ set de Kiko is Hot integram a programação. No dia 26, o cinema chega à Alameda D. Afonso Henriques com uma sessão noturna ao ar livre de O Diabo Veste Prada 2.
A relação entre cinema e espaço urbano prolonga-se nas escadinhas do Mercado do Forno do Tijolo, que acolhem, nos dias 12 e 13, o Cinema no Estendal. A iniciativa apresenta curtas-metragens vencedoras do Festival Queer Lisboa 2025, numa programação dedicada ao cinema queer.
Em Monsanto, o Jardim Keil do Amaral recupera a música ao vivo nos dias 18 e 19. DJ Pantaleão e DJ Jay Lion conduzem dois finais de tarde de música eletrónica e êxitos dos anos 80, aproveitando o anfiteatro natural do jardim e a luz do pôr do sol.
No Jardim do Palácio da Alfarrobeira, em Benfica, Rui Massena apresenta, no dia 26, o álbum Parents’ House e assinala uma década de carreira. O piano solo cruza-se com a participação de Carlão, convidado especial de um concerto marcado pela proximidade entre música e palavra.
Festas na Rua refletem uma cidade plural
A diversidade cultural assume também um lugar central. O Desfile pela Paz e a Lavagem de Santo António, a 20 de setembro, estabelece uma ligação entre a tradição afro-brasileira da lavagem das escadas do Senhor do Bonfim, na Bahia, e a cultura local.
Já em outubro, os jardins do Museu de Lisboa – Palácio Pimenta acolhem a Mundu Nôbu Experience, no dia 3, e o Lisboa Mistura, no dia 4. A programação prolonga as Festas na Rua para lá do calendário de setembro e reafirma uma ideia que atravessa toda a edição: a cultura pode encontrar palco nos lugares mais quotidianos da cidade.
Ao longo de um mês, as Festas na Rua aproximam artistas, públicos e bairros, fazendo da própria Lisboa o cenário de uma programação que cruza gerações, linguagens e comunidades. Sem uma sala única nem um centro exclusivo, as Festas na Rua espalham-se pela cidade e acompanham a transição entre duas estações.






















