A Luz pulsou com a eletricidade típica das grandes decisões, mas a primeira parte do SL Benfica – Braga em jogo da 33ª jornada da Liga Betclic, foi um ensaio de frustração para os homens de José Mourinho. Num jogo que prometia ser o espelho da reta final da época, as águias entraram asfixiantes, movidas pelo génio de um Andreas Schjelderup em estado de graça. O norueguês, autêntico maestro do ataque, desenhou lances que deixaram a defesa minhota em sobressalto, mas a sorte — e a tecnologia — pareciam ter outros planos.
Apenas três minutos bastaram para o estádio explodir, antes do VAR ditar um fora de jogo milimétrico de Ivanovic. O Benfica continuou a carregar, com Prestianni e Schjelderup a testarem os reflexos de Hornicek, que se agigantou entre os postes enquanto Trubin permanecia um mero espectador. Entre lances de perigo e pedidos de penálti em cima do intervalo, o nulo persistiu. O Benfica jogou, criou e dominou, mas o Sp. Braga sobreviveu, deixando tudo em aberto para uma segunda parte que prometia ser de nervos à flor da pele.
O reatamento trouxe o caos que o futebol tantas vezes reserva. O Benfica entrou “a morder” e, após um raro deslize de João Moutinho, Rafa Silva inaugurou o marcador com a rapidez de uma flecha. No entanto, a euforia durou apenas dois minutos: Pau Víctor, sem oposição, cabeceou para o empate após cruzamento de Víctor Gómez.
Com o espetro de falhar a Champions a pairar, as águias intensificaram o cerco. Pavlidis ainda chegou a celebrar o 2-1 num contra-ataque vertiginoso, mas o VAR voltou a ser carrasco, anulando o lance, alegando que a bola tinha saído pela linha de fundo.
O Benfica procurou o segundo golo com insistência, mas a falta de eficácia e o VAR travaram as intenções encarnadas. Após António Silva falhar o golo na pequena área, Gorby silenciou a Luz aos 88 minutos com um remate em arco de fora da área.
uando a primeira derrota na prova parecia selada pelo “balde de água fria” de Gorby, o drama atingiu o auge nos descontos.
Aos 90+2, Schjelderup caiu na área após um pisão de Vítor Carvalho, mergulhando o estádio num coro de protestos. Após uma longa consulta ao monitor do VAR, João Pinheiro confirmou o penálti. Chamado à responsabilidade num momento de tensão máxima, Pavlidis não tremeu e fixou o 2-2, resgatando um ponto para o SL Benfica frente ao Braga.
Contudo, o apito final trouxe uma mistura de descrença e amargura às bancadas. Apesar da recuperação heróica, o empate caseiro revelou-se insuficiente para as contas do título. Com o Sporting a vencer por 4-1 em Vila do Conde, o SL Benfica viu o Braga travar a sua marcha triunfal, permitindo a ultrapassagem dos leões, que lideram agora com dois pontos de vantagem. O duelo entre SL Benfica e o Braga termina assim com o título entregue ao sabor da incerteza, a apenas uma jornada do fim.


