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Vinhas do Palácio Alvarelhão 2023 recupera a memória de uma casta rara do Douro

O Vinhas do Palácio Alvarelhão 2023 nasce de uma vinha de 1920 e recupera uma rara expressão histórica do Douro.

Num tempo em que a uniformização ameaça apagar parte da identidade vitícola das grandes regiões, o regresso de castas históricas ganha um novo significado no Douro. O lançamento do Vinhas do Palácio Alvarelhão 2023, da Lavradores de Feitoria, recupera uma variedade quase desaparecida da região e volta a colocá-la no centro da discussão sobre património, autenticidade e diversidade vínica.

Produzido a partir de uma vinha plantada em 1920, na Casa de Mateus, este monovarietal nasce em solos xistosos e presta homenagem ao Alvarelhão, uma casta autóctone de ciclo longo, conhecida pela delicadeza aromática, baixa produtividade e elevada sensibilidade na vinha. A dificuldade de cultivo, associada à propensão para doenças e desavinho, contribuiu para o progressivo desaparecimento da variedade ao longo das últimas décadas.

Com apenas 1.188 garrafas produzidas, o Vinhas do Palácio Alvarelhão procura interpretar uma expressão menos explorada do Douro, privilegiando frescura, precisão aromática e elegância estrutural. Proveniente de vinhas com mais de um século, este tinto procura refletir uma leitura mais leve e delicada da região, assente na frescura natural da casta e numa abordagem enológica centrada na precisão.

Um perfil fresco e delicado no Douro

No copo, o Vinhas do Palácio Alvarelhão apresenta cor ruby e um registo aromático assente na fruta fresca e na precisão. As notas de cereja surgem acompanhadas por nuances de amora silvestre e ligeira romã, compondo um conjunto fino e harmonioso.

Em prova, revela um perfil leve, fresco e particularmente suave, sustentado por acidez natural e por uma textura delicada que prolonga o final de boca. O equilíbrio entre fruta, frescura e suavidade sugere capacidade de evolução, mantendo uma identidade pouco comum entre os tintos durienses de perfil contemporâneo.

A temperatura de serviço recomendada situa-se entre os 14 e os 16 graus, favorecendo a expressão aromática e a componente mais fresca do vinho. Na harmonização, acompanha pratos delicados como carpaccio de vitela, robalo grelhado, tártaro de vitela ou salada de beterraba com queijo feta, sendo igualmente apto para dietas vegetarianas e veganas.

Vinificação do Vinhas do Palácio Alvarelhão privilegia frescura e precisão

A componente enológica do Vinhas do Palácio Alvarelhão foi pensada para preservar o caráter original da casta e a identidade da vinha centenária de origem. A proveniência na histórica vinha da Casa de Mateus reforça igualmente a dimensão patrimonial deste projeto duriense.

A vindima foi realizada manualmente, em pequenas caixas, seguindo-se fermentação e estágio exclusivamente em inox. A opção por uma abordagem menos interventiva procura privilegiar a expressão da fruta, a frescura natural e a finesse aromática do Alvarelhão, evitando sobreposição de madeira ou excesso de extração.

Responsável pela viticultura e enologia, Paulo Ruão descreve este vinho como “muito aromático e elegante, com taninos suaves e de grande finesse”, sublinhando igualmente o potencial de envelhecimento da colheita 2023.

Vinhas do Palácio Alvarelhão e a recuperação de castas históricas

A recuperação de variedades tradicionais tem vindo a assumir um papel crescente na viticultura duriense, particularmente num contexto em que produtores e enólogos procuram preservar material genético antigo e reforçar a identidade histórica da região.

Neste caso, o Alvarelhão surge como uma interpretação distinta do Douro contemporâneo, distante de perfis excessivamente marcados pela concentração ou maturação intensa.

Segundo Filipe Caetano, administrador-executivo da Lavradores de Feitoria, “recuperar castas históricas como o Alvarelhão é também preservar a memória, identidade e autenticidade do Douro”. O responsável sublinha ainda que este vinho nasce de “uma visão de longo prazo”, onde património e inovação coexistem na valorização de uma das regiões clássicas do mundo do vinho.

Com uma abordagem centrada na frescura, delicadeza e pureza da fruta, o Vinhas do Palácio Alvarelhão 2023 revela uma leitura pouco habitual do Douro contemporâneo, recuperando uma casta rara através de um perfil assente na precisão e na elegância.

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