
Julius Johansen voltou a ser o homem mais rápido da 5.ª etapa da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, impondo-se no contrarrelógio entre Anadia e Águeda e somando o segundo triunfo nesta edição. O dinamarquês da UAE Team Emirates XRG confirmou no esforço individual a qualidade já demonstrada no prólogo, enquanto Alexis Guérin conseguiu preservar a Camisola Amarela apesar da aproximação de Artem Nych.
Julius Johansen domina o contrarrelógio
A partida no Velódromo Nacional de Sangalhos deu à etapa uma dimensão especial. O percurso de 17,4 quilómetros assinalou os dois anos da medalha de ouro conquistada por Rui Oliveira e Iúri Leitão na prova de madison dos Jogos Olímpicos de Paris. Iúri acompanhou o amigo Rui durante o contrarrelógio, numa presença que juntou também o selecionador nacional de pista, Gabriel Mendes, e o primeiro-ministro Luís Montenegro. O momento recuperou uma das páginas mais marcantes do ciclismo português recente e colocou a pista de Sangalhos no centro da jornada.
Na estrada, porém, Julius Johansen não deixou espaço para dúvidas. O dinamarquês saiu às 15h46 e rapidamente estabeleceu uma referência que resistiu até ao final. Com 21 minutos e 13 segundos, a uma média superior a 49 km/h, terminou 30 segundos à frente de Tiago Antunes, o segundo classificado e o português mais bem colocado do dia. Axel Van der Tuuk completou o pódio.
O percurso não se limitou à distância contra o relógio. Depois da saída em Sangalhos, os corredores enfrentaram um traçado rápido até Águeda, onde a aproximação à meta na Avenida 25 de Abril acrescentou uma componente técnica e uma ligeira subida. Foi nesse equilíbrio entre velocidade, gestão do esforço e precisão que Julius Johansen construiu a diferença decisiva. Dos 113 corredores ainda em prova, nenhum conseguiu aproximar-se do tempo do vencedor.
A vitória confirmou a consistência de Julius Johansen nesta Volta. Depois de vencer o prólogo, o corredor da UAE Team Emirates XRG voltou a ser superior numa distância mais longa, demonstrando capacidade para transformar a velocidade em resultado num dos momentos mais exigentes da corrida. “Ganhar o contrarrelógio era um dos meus objetivos para esta Volta a Portugal”, explicou o dinamarquês, satisfeito por provar que também consegue vencer quando o esforço individual é mais prolongado.
Guérin mantém a Amarela
O desempenho de Julius Johansen mexeu sobretudo com a classificação da etapa, mas foi a luta pela Geral que ganhou maior significado. Alexis Guérin terminou em oitavo, a 53 segundos do vencedor, enquanto Artem Nych recuperou 14 segundos ao líder. O francês da Anicolor/Campicarn conseguiu, ainda assim, defender a Camisola Amarela por 1 minuto e 12 segundos.
Nych permanece segundo da Geral, mas Tiago Antunes saltou cinco posições e passou a ser o perseguidor mais próximo da dupla da Anicolor/Campicarn. O corredor da Efapel Cycling foi o português mais destacado do contrarrelógio e entrou definitivamente na discussão pelas primeiras posições.
“Não tenho medo, temos uma equipa muito forte, um grande coletivo e todos sabem que o objetivo é ganhar a Volta, comigo ou com Nych”, afirmou Guérin no final. A declaração traduz o cenário competitivo que fica para a segunda metade da prova, com a Anicolor/Campicarn a manter dois corredores nos lugares cimeiros e Tiago Antunes a aproximar-se.
Com a primeira metade da Volta concluída, Julius Johansen deixa a jornada com duas vitórias, enquanto Guérin conserva a liderança antes do dia de descanso. Nas restantes classificações, Daniel Cavia mantém a Camisola Laranja Galp dos Pontos, Oscar Rota continua de Azul Continente na Montanha e Adrià Pericas conserva a Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis, destinada ao melhor jovem.
Concluída a primeira metade da Volta a Portugal, o pelotão tem amanhã, 11 de agosto, um dia de descanso, antes de regressar à estrada na quarta-feira, 12 de agosto, para a 6.ª etapa, entre Santa Maria da Feira e Peso da Régua, num percurso de 132,6 quilómetros. A partida está prevista para as 14h00 e a chegada para as 16h49, já no Alto Douro.






















