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REPMUS 2026 coloca Portugal no centro do maior exercício mundial de robótica e veículos não tripulados

REPMUS 2026 reúne em Portugal forças armadas, universidades e empresas para testar tecnologias robóticas e veículos não tripulados.

REPMUS 2026, exercício de experimentação robótica e veículos não tripulados
REPMUS 2026 reúne em Portugal tecnologias robóticas e veículos não tripulados - ®DR

Portugal recebe, durante quase um mês, uma concentração internacional de tecnologias destinadas a transformar a forma como sistemas autónomos podem operar no mar, no ar e em terra. O REPMUS 2026 começou esta segunda-feira, 31 de agosto, em Troia e Sesimbra, reunindo mais de 1500 participantes, 36 marinhas, mais de 60 empresas de investigação e desenvolvimento e 13 universidades.

A dimensão do exercício resulta também da quantidade e diversidade dos equipamentos envolvidos. São mais de 300 sistemas marítimos não tripulados, apoiados por 14 navios, que serão utilizados em experiências destinadas a testar novas capacidades, avaliar soluções tecnológicas e estudar diferentes formas de utilização de sistemas autónomos.

O REPMUS 2026 decorre até 25 de setembro e é organizado pela Marinha Portuguesa em colaboração com entidades militares, científicas e tecnológicas nacionais e internacionais. A sua relevância está precisamente na possibilidade de juntar, no mesmo espaço de experimentação, forças armadas, indústria de defesa, academia e organizações internacionais.

REPMUS 2026 testa diferentes ambientes

As experiências abrangem vários domínios de operação. O REPMUS 2026 inclui meios de superfície, subsuperfície, aéreos e terrestres, permitindo testar tecnologias e conceitos concebidos para funcionar com diferentes níveis de autonomia.

Entre os aspetos em avaliação encontram-se capacidades relacionadas com navegação, sensores, comunicações, controlo e coordenação entre sistemas. A experimentação procura perceber como diferentes plataformas podem trabalhar individualmente ou em conjunto e de que forma podem responder a necessidades concretas em ambientes marítimos complexos.

Esta abordagem aproxima investigação e desenvolvimento das necessidades identificadas pelas forças armadas. Para a indústria de defesa, representa também uma oportunidade para avaliar tecnologias em condições operacionais e recolher informação que dificilmente seria obtida apenas através de testes laboratoriais.

Uma área de experimentação com mais de 1 370 km²

A dimensão geográfica acompanha a escala tecnológica do REPMUS 2026. O exercício utiliza o Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Troia, áreas de exercícios portuguesas e a Zona Livre Tecnológica Infante D. Henrique.

No conjunto, a área abrangida ultrapassa 400 milhas náuticas quadradas, o equivalente a mais de 1370 quilómetros quadrados. Este espaço permite desenvolver diferentes cenários e colocar os sistemas perante condições próximas das que poderão encontrar em futuras operações.

A participação internacional é igualmente expressiva. Além das 36 marinhas, estão envolvidas cinco entidades da NATO ligadas às operações marítimas e aos sistemas marítimos não tripulados. A presença de diferentes organizações permite comparar abordagens, partilhar conhecimento e testar conceitos com aplicações que ultrapassam as fronteiras de um único país.

Da investigação à aplicação operacional

O REPMUS 2026 resulta de uma colaboração que junta a Marinha Portuguesa, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Centre for Maritime Research and Experimentation, o NATO Joint Capability Group Maritime Unmanned Systems e a European Defence Agency.

A presença simultânea de universidades, empresas e estruturas militares dá ao exercício uma característica particularmente relevante para a evolução da tecnologia de defesa. A investigação pode ser confrontada com necessidades operacionais, enquanto os sistemas desenvolvidos pela indústria são submetidos a situações que permitem identificar capacidades, limitações e possibilidades de evolução.

No total, participam mais de 1500 pessoas, provenientes de 36 marinhas, juntamente com mais de 60 empresas de investigação e desenvolvimento, 13 universidades e cinco entidades da NATO. O REPMUS 2026 transforma, assim, Portugal num ponto de encontro entre quem desenvolve estas tecnologias e quem poderá utilizá-las.

Com experiências distribuídas por diferentes ambientes e envolvendo centenas de sistemas, o REPMUS 2026 procura antecipar uma realidade em que plataformas autónomas poderão desempenhar funções cada vez mais diversificadas. A questão já não passa apenas por saber se estes sistemas conseguem operar sem tripulação, mas por determinar como podem ser integrados, coordenados e utilizados com eficácia em operações complexas.

aNOTÍCIA.pt