
Entre o som do tambor e a cadência dos remos, doze pessoas fazem avançar o mesmo barco como se seguissem um único movimento. É esta combinação de força, ritmo e sincronização que o Lisboa Dragon Boat Festival vai apresentar em Lisboa, entre 25 e 27 de setembro, numa estreia que deverá reunir mais de 700 participantes.
A Doca do Oceanário, no Parque das Nações, será o centro de uma iniciativa organizada pela Associação Dragon Boat Portugal, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa. O Lisboa Dragon Boat Festival traz consigo uma prática com cerca de 2.500 anos de história, nascida no Extremo Oriente e atualmente praticada em mais de 100 países.
Uma modalidade feita em equipa
No Dragon Boat, a velocidade depende menos da prestação individual do que da capacidade de toda a equipa manter o mesmo ritmo. Os remadores coordenam os movimentos ao som de um tambor, enquanto a embarcação avança num exercício que exige resistência, técnica, concentração e cooperação.
Esta característica ajuda a explicar a expansão internacional da modalidade e a diversidade dos públicos que hoje reúne. O Lisboa Dragon Boat Festival segue essa matriz, juntando competição e participação em diferentes formatos, desde estudantes e universitários a bombeiros, praticantes de atividades náuticas e comunidade em geral.
O programa começa a 25 de setembro com o School Challenge, destinado a estudantes do ensino secundário de Lisboa. O dia 26 será dedicado ao briefing técnico e aos treinos oficiais, antes da jornada principal, marcada para 27 de setembro.
Lisboa Dragon Boat Festival integra a Semana Europeia do Desporto
A última jornada decorrerá no âmbito da Semana Europeia do Desporto da Câmara Municipal de Lisboa e inclui quatro momentos distintos: University Challenge, Firefighters Challenge, Nautical Challenge e Community Day.
A programação coloca em contacto com a modalidade grupos com experiências desportivas diferentes. No Community Day, a componente de experimentação ganha particular relevância, permitindo um primeiro contacto com o Dragon Boat num contexto de participação aberta.
A programação estende-se ainda à Dragon Zone, instalada junto ao Pavilhão de Portugal. O espaço complementará a atividade na água com iniciativas ligadas à preparação física, entre as quais um circuito com simuladores de remo, ski e bicicleta.
Uma dimensão inclusiva
A participação da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) e da International Breast Cancer Paddlers Commission (IBCPC) acrescenta ao festival uma dimensão inclusiva que tem particular expressão nesta modalidade.
O Dragon Boat é praticado por comunidades ligadas à recuperação e ao bem-estar, incluindo grupos de mulheres afetadas pelo cancro da mama, tendo adquirido em vários países uma importante dimensão social. A presença da IBCPC em Lisboa insere o festival nessa rede internacional e reforça o caráter transversal da modalidade.
Ao longo dos três dias, o Lisboa Dragon Boat Festival coloca assim em contacto diferentes comunidades através de uma atividade em que a coordenação coletiva é determinante. A escolha da Doca do Oceanário contribui para enquadrar essa experiência num espaço onde a relação entre a cidade e a água assume especial visibilidade.
O Parque das Nações oferece um cenário urbano diretamente associado ao Tejo e às atividades náuticas. Nesse contexto, o Lisboa Dragon Boat Festival estabelece uma ligação natural entre uma modalidade de tradição milenar e uma zona da capital marcada pela relação com o rio.
Claudio Shermi, presidente da International Dragon Boat Federation (IDBF), vê na estreia portuguesa uma oportunidade para o crescimento da modalidade: “Estamos muito entusiasmados com este festival e com tudo o que representa, acreditamos que este será apenas o começo de uma história de sucesso”.
A expectativa expressa pelo dirigente internacional acompanha uma estreia que coloca Lisboa no mapa de uma modalidade com raízes milenares e expressão contemporânea em vários continentes. O Lisboa Dragon Boat Festival apresenta, assim, uma disciplina onde a competição depende de um princípio simples, mas exigente: fazer com que muitas pessoas remem no mesmo ritmo.






















