
As muralhas, os castelos e as aldeias históricas do interior português vão ganhar uma companhia pouco habitual: automóveis de outras épocas. Ao longo de cerca de 200 quilómetros, um grupo limitado de carros clássicos atravessará estradas onde a paisagem muda entre serras graníticas, vales, vinhas e algumas das mais marcantes referências do património histórico português.
É neste cenário que se desenha o percurso da terceira edição do Ribacôa Clássicos, uma iniciativa que liga Sortelha e o Sabugal a Vila Nova de Foz Côa, atravessando territórios dos concelhos de Almeida, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo. Os automóveis são o elemento que une o itinerário, mas a viagem constrói-se também através da história, da gastronomia e dos vinhos da Beira Interior.
Ribacôa Clássicos transforma a estrada em percurso
Há uma diferença entre atravessar uma região e conhecê-la a partir das estradas que ligam as suas localidades. O Ribacôa Clássicos aposta precisamente nessa segunda perspetiva, escolhendo um itinerário onde a deslocação tem tanto peso como os lugares de chegada.
O percurso passa por diferentes cenários naturais e rurais, das paisagens graníticas das serras beirãs aos vales do rio Côa. A proximidade das vinhas e das encostas que anunciam a transição para outros territórios do interior acrescenta variedade a uma viagem pensada para decorrer sem a lógica da rapidez que domina habitualmente as deslocações.
Nos automóveis clássicos, a relação com a estrada assume também outra dimensão. O ritmo é diferente, a condução exige outra atenção e cada paragem ganha importância no conjunto da experiência.
Castelos, muralhas e histórias de fronteira
Uma das marcas mais fortes do Ribacôa Clássicos está na ligação ao património histórico. Sortelha, Castelo Mendo, Almeida, Pinhel e Castelo Rodrigo fazem parte de um roteiro que atravessa alguns dos lugares onde a história portuguesa permanece particularmente visível na paisagem.
Muralhas, fortalezas e centros históricos ajudam a compreender a importância estratégica que estes territórios tiveram ao longo dos séculos. A proximidade da fronteira marcou profundamente a organização das povoações e deixou uma herança que continua presente na arquitetura e na identidade das localidades.
O programa inclui visitas a vários destes lugares, permitindo que o percurso automóvel seja acompanhado por uma leitura mais ampla da região. Os carros ligam as etapas, enquanto os monumentos ajudam a explicar o território.
Ribacôa Clássicos encontra os sabores da Beira Interior
A gastronomia surge como outra das dimensões do itinerário. Provas de produtos regionais, refeições tradicionais e momentos de contacto com produtores locais aproximam os participantes de alguns dos sabores associados à Beira Interior.
Queijos, enchidos, carnes, azeites e doçaria regional fazem parte de uma identidade gastronómica construída a partir das características do território e das suas tradições. Neste caso, a mesa não aparece como um simples intervalo entre etapas, mas como uma das formas de conhecer as regiões atravessadas.
A passagem por produtores permite igualmente estabelecer uma ligação entre aquilo que chega ao prato e as pessoas que mantêm vivas técnicas e produtos associados a estas localidades.
Vinhas e produtores entram no roteiro
O Ribacôa Clássicos passa também por Figueira de Castelo Rodrigo, onde os vinhos e os produtores locais ocupam um lugar próprio no programa. A prova prevista permite enquadrar a componente vitivinícola num território marcado pelas particularidades da altitude e pelas condições naturais da região.
As vinhas surgem, assim, como parte integrante da paisagem observada ao longo da viagem. Entre campos, aldeias e monumentos históricos, o percurso revela diferentes formas de ocupação e transformação do interior português.
Vinte automóveis para um percurso limitado
A opção por limitar o grupo a 20 viaturas distingue igualmente o Ribacôa Clássicos de grandes concentrações automóveis. A dimensão reduzida permite que o percurso mantenha uma escala mais próxima das localidades visitadas e das experiências previstas.
A terceira edição realiza-se de 25 a 27 de setembro e começa em Sortelha, terminando depois de três dias de estrada e de uma passagem por Vila Nova de Foz Côa. Pelo caminho, haverá visitas históricas, provas gastronómicas, vinhos e vários momentos dedicados aos produtos regionais.
Com Rui Unas como padrinho, o Ribacôa Clássicos propõe um itinerário onde os automóveis clássicos funcionam como ponto de partida para observar um território que reúne património, paisagem e tradições. No fim, os cerca de 200 quilómetros percorridos deixam uma ideia clara: nesta zona do país, a estrada continua a ser uma das formas mais interessantes de ligar lugares, histórias e pessoas.






















