
Um vinho português acaba de alcançar uma classificação inédita na história recente da crítica internacional. O António Madeira Os Granitos 2023 recebeu 100 pontos de James Suckling, tornando-se no primeiro vinho português não fortificado a obter a pontuação máxima atribuída pelo influente crítico norte-americano.
A distinção coloca António Madeira entre os protagonistas de um momento particularmente relevante para o vinho português e dá ao Dão uma projeção internacional associada à classificação máxima de um dos nomes mais conhecidos da crítica especializada. O resultado incide sobre um vinho produzido na sub-região da Serra da Estrela, a partir de vinhas antigas e de uma abordagem vitícola centrada na expressão do território.
Produzido em modo biodinâmico, Os Granitos 2023 tem um preço de venda ao público recomendado de 64 euros e resulta de um trabalho desenvolvido em parcelas situadas no sopé da Serra da Estrela. A altitude, os solos graníticos e a idade das vinhas estão entre os elementos que ajudam a definir a identidade do vinho agora distinguido.
António Madeira e as vinhas antigas da Serra da Estrela
Nascido em Paris, António Madeira encontrou no Dão o território onde desenvolveu um projeto dedicado à recuperação e valorização de vinhas velhas. O produtor tem trabalhado sobretudo com pequenas parcelas de altitude, procurando preservar um património vitícola que faz parte da história da região.
As vinhas utilizadas na produção dos seus vinhos têm entre 50 e 120 anos e encontram-se a altitudes entre os 450 e os 600 metros. Estas condições favorecem maturações mais lentas e ajudam a preservar a acidez natural das uvas, contribuindo para vinhos marcados pela frescura e pela relação com o lugar onde são produzidos.
O trabalho de António Madeira assenta igualmente numa viticultura de mínima intervenção e na procura de uma expressão fiel das características de cada parcela. A recuperação de vinhas antigas permitiu reunir castas e materiais vegetais associados ao património vitícola do Dão, num território onde a fragmentação das propriedades é também uma das marcas da paisagem agrícola.
No caso de Os Granitos 2023, o próprio nome remete para uma das características geológicas da região. Os solos graníticos, combinados com as condições proporcionadas pela altitude da Serra da Estrela, contribuem para enquadrar o perfil de um vinho cuja origem está diretamente ligada ao território.
Os 100 pontos de James Suckling para António Madeira
A classificação agora atribuída tem um significado particular por representar a primeira vez que um vinho português não fortificado alcança os 100 pontos de James Suckling. A distinção coloca António Madeira num grupo restrito de produtores cujos vinhos obtiveram a pontuação máxima do crítico norte-americano.
James Suckling é uma das figuras internacionais mais conhecidas da crítica de vinhos e as suas classificações têm influência na visibilidade de produtores, marcas e regiões nos mercados internacionais. Neste caso, a avaliação chama também a atenção para um território que tem vindo a conquistar reconhecimento pela diversidade das suas castas e pela capacidade de produzir vinhos de forte identidade.
Quando recebeu a notícia, António Madeira encontrava-se já envolvido na colheita seguinte. “É um enorme orgulho receber este reconhecimento, que resulta de muito empenho e trabalho. Quando recebi a notícia dos 100 pontos estava precisamente a pôr no lagar a colheita de 2026 deste vinho. Nada acontece por acaso”, afirmou o produtor.
António Madeira dá nova projeção internacional ao Dão
A Comissão Vitivinícola Regional do Dão considera que a classificação tem um significado que ultrapassa o vinho agora distinguido. Para Manuel Pinheiro, presidente da CVR Dão, o reconhecimento contribui para consolidar a presença da região nos mercados e no panorama internacional.
“Distinções como esta elevam o Dão para o patamar de qualidade que pretendemos para a região e confirmam aquilo em que temos vindo a trabalhar: afirmar o Dão, os seus produtores e os seus vinhos entre os grandes nomes do vinho a nível internacional”, afirmou.
O percurso de António Madeira está ligado a uma geração de produtores que tem procurado recuperar parcelas antigas e dar maior visibilidade à diversidade vitícola do Dão. Esse trabalho tem contribuído para preservar vinhas que, em muitos casos, enfrentaram durante décadas o risco de abandono.
Os 100 pontos atribuídos a Os Granitos 2023 colocam agora esse trabalho sob uma atenção internacional sem precedentes. Para António Madeira, a classificação representa o reconhecimento de uma filosofia construída em torno das vinhas velhas e da Serra da Estrela. Para o Dão, constitui um resultado concreto que reforça a capacidade da região para alcançar os mais elevados níveis de reconhecimento na crítica internacional.
A distinção deixa ainda um marco claro para o vinho português: pela primeira vez, um vinho não fortificado produzido em Portugal alcança a classificação máxima de James Suckling, com origem numa das regiões vitivinícolas históricas do país.






















