InícioUncategorizedCarmen leva a paixão de Bizet ao encontro do flamenco no Tivoli

Carmen leva a paixão de Bizet ao encontro do flamenco no Tivoli

Uma história de desejo, liberdade e ciúme regressa ao palco através de uma combinação pouco habitual: canto lírico, flamenco, dança e interpretação. É esse o ponto de partida de “Carmen: Paixão Lírica & Flamenco”, produção da Companhia Ópera Fusión de Madrid que chega ao Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

Inspirado na ópera em quatro atos de Georges Bizet, o espetáculo procura aproximar duas linguagens com identidades próprias. De um lado, a tradição lírica; do outro, a força rítmica e corporal do flamenco. No centro permanece Carmen, personagem cuja independência e recusa em viver segundo regras impostas continuam a alimentar diferentes leituras da obra, mais de século e meio depois da estreia da ópera.

Carmen entre a ópera e o flamenco

A narrativa mantém o núcleo dramático conhecido. Carmen envolve-se com Don José, militar dividido entre o dever e uma paixão que progressivamente o afasta da vida que conhecia. A entrada de Escamillo, toureiro celebrado e novo objeto do interesse da protagonista, acentua um triângulo marcado pelo desejo, pelo ciúme e pela violência emocional.

Nesta versão, a história é trabalhada por um elenco de 13 artistas: quatro cantores de ópera, quatro bailarinos e cinco músicos. A música de Bizet continua a funcionar como referência central, mas a produção introduz elementos associados ao flamenco, entre eles o cajón, as palmas e uma linguagem coreográfica que ganha peso na construção dramática.

Essa opção não pretende substituir a matriz operática, mas criar uma relação cénica entre repertórios distintos. “Carmen: Paixão Lírica & Flamenco” parte, assim, de uma obra francesa ambientada em Espanha e aproxima-a de uma expressão artística profundamente ligada à cultura andaluza.

Uma personagem que continua a ser reinterpretada

Desde a estreia da ópera de Bizet, em Paris, em 1875, a protagonista tornou-se uma das figuras mais reconhecíveis do repertório lírico. A personagem nasceu antes disso na novela de Prosper Mérimée, publicada em 1845, e chegou ao palco através do libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy.

A permanência da obra não se explica apenas pelas árias que atravessaram gerações. A tensão entre liberdade individual, paixão possessiva e destino trágico continua a permitir novas encenações e leituras. É nesse espaço que esta produção espanhola procura trabalhar Carmen, acrescentando-lhe movimento, ritmo e uma componente visual assente na dança.

A coreografia assume, por isso, uma função narrativa e não meramente decorativa. O flamenco surge como extensão emocional dos conflitos da história, procurando traduzir fisicamente a intensidade das relações entre Carmen, Don José e Escamillo. O recurso às palmas, ao cajón e ao movimento coreográfico acrescenta outra camada à partitura e ajuda a definir a identidade própria desta adaptação.

Tivoli recebe produção estreada em Madrid

Antes de chegar a Lisboa, o espetáculo teve estreia no Teatro Capitol, em Madrid. A passagem pelo Teatro Tivoli BBVA marca a apresentação portuguesa de uma produção que cruza ópera, música ao vivo e dança numa leitura condensada do universo criado por Bizet.

A escolha do flamenco encontra também uma ligação evidente com o espaço em que a ação original se desenvolve. A Andaluzia, presente no imaginário da obra, deixa de ser apenas cenário e ganha expressão através do ritmo, dos gestos e da instrumentação.

A apresentação em Lisboa está marcada para duas récitas, a 16 e 17 de abril de 2027. A venda geral de bilhetes começa a 2 de outubro, através da Ticketline e dos pontos habituais, depois de um período de pré-venda reservado a subscritores das newsletters da UAU e da plataforma de bilhética.

Em palco, Carmen volta assim a ser o centro de uma história conhecida, mas apresentada através de outra gramática cénica. Entre a disciplina do canto lírico e a fisicalidade do flamenco, a produção procura reenquadrar um clássico sem lhe retirar os conflitos essenciais: liberdade, desejo, ciúme e fatalidade.

aNOTÍCIA.pt

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