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O antes e o depois da Gala dos Sóis do Guia Repsol

Os Sóis do Guia Repsol iluminaram Évora com uma noite dedicada à gastronomia portuguesa, unindo tradição, criatividade e identidade regional.

Évora vestiu-se de gala para receber os Sóis do Guia Repsol, mas antes de as luzes do palco se acenderem, foi à mesa — entre conversas soltas e o perfume a coentros e poejos — que se sentiu o verdadeiro pulsar da gastronomia nacional.

O dia começou no Paço do Morgado de Oliveira (Fita Preta). O cenário era idílico, ainda que o vento e a chuva miúda tivessem trocado as voltas ao pátio alentejano, empurrando os convidados para o abrigo quente dos claustros. Ali entre petiscos regionais e vinhos alentejanos, jornalistas e chefs como Dieter Koschina, José Avillez ou João Oliveira cruzavam impressões com a naturalidade de quem se reencontra todos os anos.

O almoço, servido na antiga capela, celebrou a simplicidade bem-feita: carne de porco, arroz de cogumelos e espargos verdes — um conforto discreto, mas suficiente para preparar todos para a longa noite que se aproximava.
 
Neste ambiente descontraído, onde também marcaram presença o Presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, e o Presidente da Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, houve espaço para olhar o futuro.
 
José Manuel Santos partilhou o entusiasmo pelas próximas ações: “Estamos a lançar novas formas de descobrir a região, como os cinco passeios com o Cante Alentejano. Queremos promover o Alentejo e o Ribatejo através destes novos protagonistas da cena pop e da tradição”.
 
Já o Chef João Oliveira (Restaurante Vista), com a serenidade de quem celebra 12 anos de projeto, reforçou o seu compromisso: “Acreditamos no que fazemos e temos a consciência tranquila de estar a realizar um bom trabalho, acima de tudo, focado na nossa identidade”.
 
Michele Marques: A autora do menu do jantar no Convento do Espinheiro
 
Se a gala dos Sóis do Guia Repsol é o espetáculo, o jantar é o coração do evento. Este ano, o Convento do Espinheiro acolheu a criação de Michele Marques (Mercearia/Casa do Gadanha), brasileira de nascimento mas alentejana de alma, que desenhou um menu profundamente ligado às suas memórias e ao território que a acolheu.
 
Para esta tarefa titânica, rodeou-se de talento: Ana Moura (Lamelas), Francesco Ogliari (Tua Madre) e Diogo Lopes (Ritz Four Seasons). Juntos, transformaram produtos de fornecedores locais — do pão da Mó de Cima aos queijos do Monte da Vinha — em autênticas joias gastronómicas.
 
Os Destaques do Menu:
  1. Para abrir o apetite: O frescor do Escabeche de Perdiz e a surpresa da Terrina de Pezinhos com pão torrado.
  2. Os Clássicos Reinventados: A Açorda Alentejana de Bacalhau e Poejos e o reconfortante Ensopado de Borrego num Lume de Chão foram as estrelas da noite.
  3. O Toque Final:  A doçaria brilhou com a frescura da Maçã e Poejos, as  Gadanhas e as Queijadas de Noz e de Amêndoa. Para rematar, a audácia de Diogo Lopes com a sobremesa de Porco, Bolota e Cogumelos deixou todos rendidos à criatividade.

O Futuro no Horizonte

A noite em Évora não celebrou apenas o que já foi feito. Nas palavras de José Manuel Santos, o Alentejo, prepara-se para um ano em cheio, com a Cimeira Mundial de Enoturismo em Beja e as icónicas Festas do Povo em Campo Maior no horizonte de agosto. A Gala dos Sóis 2024 provou que, para além dos prémios, o que fica é a “sã convivência” e a certeza de que a gastronomia portuguesa, seja no mar de João Oliveira ou no barrocal de Michele Marques, está em mãos seguras e profundamente apaixonadas.
 
Para conhecer todos os premiados desta edição e descobrir os novos restaurantes distinguidos em todo o país, pode consultar a lista completa no site oficial: Guia Repsol — Restaurantes Premiados 2026.
 
 
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