
A cozinha portuguesa tem uma nova vencedora do mais antigo e prestigiado concurso nacional dedicado à profissão. Francisca Dias, chef do restaurante Esteva, em Borba, conquistou o título de Chefe do Ano 2026 na final realizada esta quinta-feira, na antiga Fábrica Pardal Monteiro, em Sintra.
A 37.ª edição do concurso reuniu seis finalistas que enfrentaram o desafio de criar um menu completo inspirado nas raízes gastronómicas portuguesas, privilegiando ingredientes de origem nacional e demonstrando domínio técnico, criatividade e coerência culinária. No final da prova, foi a proposta apresentada por Francisca Dias que conquistou o júri.
Chefe do Ano distinguiu um menu inspirado na tradição portuguesa
A vencedora apresentou um menu composto por “Nabiças, bimi e requeijão”, na entrada vegetariana, “Línguas de bacalhau, pão e couve”, no prato de peixe, “Cozido de grão”, na componente de carne, e “Miso, pera e baunilha”, sobremesa elaborada com Pera Rocha.
A proposta destacou-se pela forma como reinterpretou produtos e referências tradicionais da cozinha portuguesa através de uma abordagem contemporânea. Entre nabiças, bacalhau, grão e pera Rocha, Francisca Dias construiu uma narrativa gastronómica assente na identidade, na técnica e no respeito pelos ingredientes nacionais.
“Ouvir o meu nome como vencedora foi uma explosão de alegria. Esta é uma distinção atribuída pelos meus pares e, por isso, é muito importante para mim. Este menu diz muito sobre quem sou e sobre o que faço atualmente no meu restaurante. Sinto-me feliz!”, afirmou após receber o troféu de Chefe do Ano.
Além da distinção principal, a chef recebeu também o Prémio Helmut Ziebell, que reconhece o carácter inovador das técnicas apresentadas, graças à sobremesa desenvolvida para a competição.
O percurso de Francisca Dias até ao Chefe do Ano
A nova vencedora construiu o seu percurso em algumas das cozinhas mais relevantes do país. Iniciou a carreira no Feitoria, ao lado de João Rodrigues, seguindo depois para o Rossio Gastrobar e para o restaurante 100 Maneiras.
Em 2021 assumiu a liderança da cozinha da Casa do Gadanha, em Estremoz, projeto desenvolvido com Ruben Trindade. Dois anos mais tarde abriu o Esteva, em Borba, restaurante onde desenvolve uma cozinha marcada pela sazonalidade, pelo território e pela valorização do produto português.
A conquista do Chefe do Ano representa um dos momentos mais importantes da sua carreira e reforça o reconhecimento alcançado nos últimos anos junto do setor.
Uma final disputada entre alguns dos melhores talentos da cozinha nacional
A prova final foi avaliada por um painel de jurados composto por Luís Gaspar, Marlene Vieira, Alexandre Silva, Jorge Fernandes, Andreia Moutinho, Louis Anjos, Ricardo Costa e Paulo Pinto. Alexandre Cabrita participou como jurado observador.
João Fernandes, do Hool Restaurante, e Carlos Magalhães, do Oculto, Hotel Lince Santa Clara, terminaram a competição na segunda e terceira posições, respetivamente. A final contou ainda com a participação de Mário Santos, João Pinto e Daniel Reis.
Segundo Luís Gaspar, vencedor do Chefe do Ano em 2017, a edição deste ano distinguiu-se pelo equilíbrio e pela qualidade técnica dos concorrentes.
“O concurso foi muito equilibrado, com uma grande prova técnica e um nível de preparação muito elevado. Foi uma prova renhida. Com o seu menu, a Francisca valorizou o património do receituário tradicional com inovação e técnica”, destacou.
A final integrou ainda o Fórum Gastronómico Pensar Cozinha e acolheu a primeira edição dos Prémios Gastronómicos de Sintra. Durante o evento foi igualmente entregue o Prémio Armando Fernandes, atribuído este ano ao chef Nuno Mendes.
Com 37 edições realizadas, o Chefe do Ano continua a afirmar-se como uma das mais importantes distinções da gastronomia portuguesa. A vitória de Francisca Dias acrescenta um novo capítulo à história do concurso e confirma a capacidade de uma nova geração de cozinheiros para reinterpretar a tradição sem perder de vista as suas origens.
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