
Poucos objetos representam tão bem a identidade portuguesa como a sardinha. Associada aos Santos Populares, ao mar e à tradição, tornou-se também uma tela de criatividade graças às Sardinhas Bordallo Pinheiro, uma coleção que todos os anos convida artistas de diferentes áreas a reinterpretar um dos símbolos mais reconhecidos da cerâmica nacional. A edição de 2026 reúne doze novas propostas que cruzam cultura, atualidade, humor e memória, confirmando que este ícone continua a reinventar-se sem perder a sua essência.
Sardinhas Bordallo Pinheiro inspiram novas leituras da atualidade
As Sardinhas Bordallo Pinheiro voltam a reunir autores portugueses e internacionais que transformam a emblemática peça criada por Raphael Bordallo Pinheiro em pequenas obras de arte. As novas interpretações percorrem temas tão diversos como a identidade portuguesa, a gastronomia, a arte urbana, a cultura popular e a geopolítica, demonstrando como um objeto tradicional continua a refletir o mundo contemporâneo.
Entre as novidades encontra-se Calçada, de Francisco Menezes, que presta homenagem aos tradicionais pavimentos portugueses, enquanto Saudade Salgada, de João Garcia, recorda o papel dos pescadores e a ligação histórica do país ao mar.
A atualidade internacional também marca presença. Em Ucrânia Ferida, Nuno Rogeiro utiliza a sardinha para refletir sobre as consequências da guerra, transformando a cerâmica num testemunho artístico de um dos conflitos que continuam a marcar o panorama mundial. Já Atómica, de Sérgio Sousa Pinto, recorre a símbolos históricos para abordar o impacto da guerra e da tecnologia.
O humor e a irreverência, características que distinguem as Sardinhas Bordallo Pinheiro, surgem em peças como Sardinhorca, de Luís Pedro Nunes, inspirada no comportamento das orcas junto à costa portuguesa, e Sopa de Letras, de Andreia Vale e Tomás Jesus, que combina expressões populares e emojis numa leitura contemporânea da cultura portuguesa.
Sardinhas Bordallo Pinheiro cruzam tradição e influências internacionais
A edição de 2026 mostra também como as Sardinhas Bordallo Pinheiro conseguem dialogar com referências de diferentes culturas. É o caso de Sukidayo, ilustrada por Mahou, artista ligado ao universo do Pokémon Trading Card Game, que transporta para a coleção a estética do mangá japonês através de uma mensagem universal de afeto.
Outra das novidades é Precious Sardine, de Sérgio Rebelo, inspirada na técnica tradicional japonesa sashiko, conhecida pelo delicado trabalho de costura que prolonga a vida dos tecidos. A peça transforma a sardinha num objeto artístico onde tradição e inovação convivem harmoniosamente.
A coleção integra ainda propostas como Bailarina, de Sofia Betancur, dedicada ao movimento e à leveza da dança, Entrelaçados, de Diana Silva, inspirada no universo dos gatos, e Fábulas, resultado de um projeto desenvolvido com crianças com doença oncológica e as suas famílias. A obra celebra a criatividade, a esperança e a solidariedade através de uma das Sardinhas Bordallo Pinheiro mais emotivas desta edição.
Porque continuam as Sardinhas Bordallo Pinheiro a despertar interesse?
A coleção reúne atualmente uma centena de modelos, incluindo exemplares históricos, edições especiais e peças de autor. Todos os anos entram novas criações e outras deixam de ser produzidas, tornando cada edição particularmente relevante para colecionadores e apreciadores de cerâmica contemporânea.
Ao longo dos anos, as Sardinhas Bordallo Pinheiro afirmaram-se como um dos mais reconhecidos símbolos da cerâmica artística portuguesa, despertando o interesse de colecionadores e apreciadores de design em Portugal e no estrangeiro.
Estas peças ultrapassam a dimensão decorativa e refletem diferentes momentos da sociedade, demonstrando como a arte pode acompanhar a evolução dos tempos sem perder a ligação às suas origens.
Criada a partir da obra de Raphael Bordallo Pinheiro, a coleção mantém vivo o espírito criativo do artista que, no século XIX, revolucionou a cerâmica portuguesa através da sátira, do humor e da observação da sociedade. Esse legado continua hoje a inspirar novos autores e a projetar internacionalmente as Sardinhas Bordallo Pinheiro, reconhecidas como um dos exemplos mais marcantes da criatividade e do design portugueses.
Ao reunir tradição, inovação e diferentes expressões artísticas, as Sardinhas Bordallo Pinheiro voltam a demonstrar que um dos maiores símbolos da cultura portuguesa continua capaz de contar novas histórias e de refletir o mundo contemporâneo através da cerâmica.






















