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Honda Prelude regressa 25 anos depois e recupera um nome que marcou gerações

Durante 25 anos, o Prelude existiu sobretudo na memória de quem acompanhou uma época em que os coupés podiam servir também de laboratório tecnológico. A Honda decidiu recuperar o nome, mas o Honda Prelude que agora chega às estradas pouco tem, mecanicamente, daquele que desapareceu em 2001. E talvez seja precisamente aí que começa a parte mais interessante deste regresso.

Para perceber o que a marca pretende recuperar é necessário voltar a 1978. A primeira geração nasceu no Japão e chegou à Europa no ano seguinte, combinando uma carroçaria coupé de duas portas e perfil baixo com espaço para quatro ocupantes. Para o mercado europeu havia um motor de 1,6 litros com 80 CV, mas eram soluções como a suspensão independente nas quatro rodas e a direção assistida opcional que começavam a revelar o papel reservado ao modelo dentro da gama Honda.

Honda Prelude tornou-se uma montra de tecnologia

A segunda geração, lançada em 1983, ficou imediatamente reconhecível pelos faróis retráteis. Por baixo dessa imagem marcante começavam, porém, a surgir argumentos de outra natureza. A injeção PGM-FI multiponto beneficiava da experiência adquirida pela Honda na Fórmula 1 e o modelo podia receber um sistema eletrónico antibloqueio de travões.

Mas foi quatro anos depois que surgiu uma das soluções que ficariam definitivamente associadas à sua história. Em 1987, o Honda Prelude tornou-se o primeiro automóvel de produção em série do mundo disponível com direção nas quatro rodas. O sistema 4WS permitia orientar também as rodas traseiras, procurando aumentar agilidade e estabilidade, numa altura em que esta tecnologia estava longe de fazer parte do vocabulário habitual dos automóveis de estrada.

Não seria a última experiência técnica da linhagem.

A quarta geração, apresentada em 1991, abandonou os faróis retráteis e aprofundou essa aposta. O sistema 4WS passou a ter controlo eletrónico e chegou o VTEC, tecnologia de distribuição variável que se tornaria uma das assinaturas mais conhecidas da engenharia Honda. O Prelude tentava então aproximar-se dos coupés premium europeus, mas continuava a fazê-lo através de soluções muito próprias.

Em 1996, já numa quinta geração, o Honda Prelude voltou a mudar sem abandonar esse papel. O desenho recuperou linhas mais próximas do primeiro modelo, enquanto a mecânica recebeu o ATTS — Active Torque Transfer System. O sistema distribuía binário para a roda dianteira exterior em curva, procurando aumentar a aderência e reduzir a subviragem. O motor VTEC de 2,2 litros podia chegar aos 200 CV.

Poucos anos depois, porém, a história parou.

Honda Prelude desapareceu, mas o mercado também mudou

A produção terminou em 2001. O desaparecimento aconteceu numa altura em que o espaço comercial reservado a este género de coupés começava a diminuir. Nas décadas seguintes, muitos modelos de duas portas foram saindo dos catálogos e outras carroçarias ganharam protagonismo.

Por isso, recuperar simplesmente a fórmula dos anos 1980 ou 1990 dificilmente faria sentido em 2026. A sexta geração precisava de encontrar outra forma de justificar o nome.

É aí que entra a eletrificação.

O novo modelo utiliza o sistema híbrido e da Honda, composto por um motor a gasolina de 2,0 litros e dois motores elétricos, com 315 Nm de binário. O Honda Prelude regressa, assim, sem tentar reproduzir mecanicamente os seus antecessores, procurando antes transportar para uma arquitetura híbrida a preocupação com o envolvimento do condutor que atravessou as gerações anteriores.

Uma das peças dessa estratégia é o Honda S+ Shift. Não existe uma caixa de velocidades convencional, mas o sistema simula oito relações, alterando as rotações do motor durante acelerações e desacelerações para recriar sensações associadas às passagens de caixa.

O Active Sound Control acrescenta som amplificado através dos altifalantes, sincronizado com a resposta do automóvel e com indicações apresentadas no painel. É uma solução muito diferente do 4WS mecânico de 1987 ou do ATTS de 1996, embora exista um ponto de contacto: todos procuram interferir diretamente na forma como o condutor sente o automóvel.

Honda Prelude regressa com uma interpretação diferente

Também o desenho procura afastar-se de uma reconstrução nostálgica. A Honda diz ter procurado inspiração na fluidez dos planadores modernos, enquanto o habitáculo mantém quatro lugares. Atrás, uma grande porta tipo hatchback dá acesso a uma área de carga configurável, preservando uma componente prática que já fazia parte da receita original.

A segurança acompanha naturalmente a evolução ocorrida nestes 25 anos, com a presença do conjunto Honda SENSING e de vários sistemas de assistência à condução.

Há, portanto, uma diferença importante entre recuperar um nome e tentar recriar o automóvel que o usou. A sexta geração parece seguir o primeiro caminho. O Honda Prelude já está disponível em Portugal por 61.500 euros, preço chave na mão, e as primeiras unidades foram entregues.

Depois de direção às quatro rodas, VTEC e vetorização de binário, a história passa agora pelo e e pelo Honda S+ Shift. São tecnologias separadas por décadas e por contextos muito diferentes. É nesse percurso, e não numa tentativa de repetir o passado, que o regresso do Honda Prelude encontra a ligação às cinco gerações que o antecederam.

aNOTÍCIA.pt

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