
Uma história pode começar pela voz, continuar numa árvore, ganhar movimento através de uma marioneta e terminar nas páginas de um livro. É este percurso entre escuta, natureza, imaginação e criação que dá forma ao ESCUTADORES 2026, projeto da Algures que regressa aos jardins do Lumiar para a sua 7.ª edição.
Pensado para crianças e famílias, o programa ocupa diferentes espaços verdes da freguesia e propõe uma relação pouco convencional com a cultura: ouvir contos ao ar livre, descobrir plantas através das histórias, construir personagens com mecanismos simples e explorar livros de outras formas.
No ESCUTADORES 2026, o ponto de partida é a narração oral. A partir daí, o programa vai abrindo diferentes caminhos. Uma sessão dedicada aos contos tradicionais portugueses conduz à descoberta das histórias ligadas às árvores e às plantas; estas dão lugar à construção de criaturas em movimento; e a viagem termina entre livros, leituras e colagens.
ESCUTADORES 2026 começa pela força das histórias
A voz é o primeiro elemento desta programação. No Jardim Professor António de Sousa Franco, António Fontinha recupera contos da tradição oral portuguesa, num encontro que coloca a palavra e a memória no centro da experiência.
A narração oral tem uma característica particular: cada história depende da relação entre quem conta e quem escuta. O ritmo, a voz, as pausas e até o espaço envolvente fazem parte da narrativa.
No ESCUTADORES 2026, essa dimensão ganha outra escala porque as histórias não ficam confinadas a uma sala. Acontecem num jardim, onde os sons e os elementos naturais passam também a fazer parte do ambiente da sessão.
ESCUTADORES 2026 leva as histórias até às plantas
Depois da tradição oral, a programação aproxima-se do mundo natural. No Parque Botânico do Monteiro-Mor, Ana Sofia Paiva conduz uma sessão de contos dedicada à relação entre histórias e natureza.
As árvores ocupam aqui um lugar especial. Presentes em lendas, contos e tradições de diferentes épocas, fazem parte de um imaginário que permite olhar para o mundo natural através da narrativa.
A seguir, a experiência muda de ritmo. Fernanda Botelho conduz um passeio exploratório pelo reino das plantas, com identificação de espécies e histórias associadas a flores, árvores e ervas medicinais e comestíveis.
A observação passa, assim, a complementar a escuta. O jardim deixa de ser apenas o local onde acontece a programação e torna-se matéria para descobrir, reconhecer e interpretar.
ESCUTADORES 2026 põe criaturas em movimento
Na Quinta das Conchas, a imaginação ganha uma dimensão mais física. “História miúda para miúdos curiosos”, com Patrícia Ubeda e Leandro Lyra, cruza literatura, música, objetos e jogo, criando uma experiência em que a narrativa pode assumir diferentes formas.
A partir daqui, o público passa de espectador a criador. Na oficina orientada por Patrícia Pais, os participantes constroem autómatos-marionetas utilizando materiais reutilizados e mecanismos simples.
A proposta junta construção e narrativa. Cada criatura ganha forma através das mãos e, depois, movimento através dos mecanismos criados para a fazer funcionar.
É uma continuação natural do percurso iniciado com as histórias: aquilo que primeiro se ouviu pode agora transformar-se numa personagem.
ESCUTADORES 2026 fecha o percurso com livros
A leitura encerra esta sequência de experiências na Quinta das Conchas, através da Biblioteca ReVOAr, conduzida por Pri Ballarin.
O conceito parte da leitura livre ao ar livre e abre espaço para diferentes maneiras de explorar o livro. Depois de ouvir histórias, observar plantas e criar personagens, chega o momento de voltar às páginas, desta vez também através da experimentação manual.
O programa inclui um workshop de dobragem de livros e colagens, permitindo explorar formas, imagens e estruturas e perceber o livro enquanto objeto de criação.
Esta diversidade de propostas acompanha uma característica que tem marcado o percurso do projeto: a vontade de experimentar diferentes formas de contar e de ler o mundo. Nas edições anteriores, o ESCUTADORES foi incorporando oficinas de ilustração, criação de livros, passeios narrativos e outras atividades ligadas à leitura e à oralidade.
ESCUTADORES 2026 ocupa os jardins do Lumiar
A escolha dos locais acompanha este percurso. O Jardim Professor António de Sousa Franco, o Parque Botânico do Monteiro-Mor e a Quinta das Conchas oferecem ambientes diferentes, mas têm em comum a possibilidade de realizar atividades culturais ao ar livre.
A relação com os jardins é uma das características que tem acompanhado o projeto ao longo das suas edições. A Algures aproxima a narração oral, a literatura e a criação dos espaços públicos, criando momentos em que a programação cultural se cruza com a vida quotidiana dos bairros.
Em 2026, o ESCUTADORES 2026 conta com a articulação da Junta de Freguesia do Lumiar e com o apoio do Museu Nacional do Traje, da Câmara Municipal de Lisboa e do NoLiPa, projeto da AVENUE no Lumiar.
ESCUTADORES 2026 acontece em setembro
A 7.ª edição do ESCUTADORES 2026 decorre nos dias 12, 13, 19 e 20 de setembro, com participação gratuita e sem necessidade de inscrição.
No dia 12, às 11h30, António Fontinha apresenta contos da tradição oral portuguesa no Jardim Professor António de Sousa Franco.
A 13 de setembro, às 10h30, Ana Sofia Paiva conduz a sessão “Contos e natureza”, no Parque Botânico do Monteiro-Mor. Às 11h30, Fernanda Botelho orienta o passeio exploratório pelo reino das plantas.
No dia 19, a Quinta das Conchas recebe, às 10h30, “História miúda para miúdos curiosos”, com Patrícia Ubeda e Leandro Lyra. Às 11h30, Patrícia Pais orienta a oficina de criação de autómatos.
A programação termina a 20 de setembro, entre as 11h30 e as 13h30, novamente na Quinta das Conchas. A Biblioteca ReVOAr, com Pri Ballarin, propõe leitura livre ao ar livre, acompanhada por um workshop de dobragem de livros e colagens.
Sete edições depois, o ESCUTADORES 2026 mantém uma ideia central: criar tempo e espaço para ouvir, observar, imaginar e criar. Nesta edição, essa ideia percorre os jardins do Lumiar através de histórias, plantas, objetos, personagens e livros, numa programação onde cada experiência encontra uma continuação na seguinte.






















