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Sabores de Cabo Verde: queijo, café e vinho vulcânico em destaque num encontro em Gaia

Sabores de Cabo Verde marcaram uma sessão dedicada ao património cultural, à gastronomia cabo-verdiana e às ligações históricas atlânticas.

Os Sabores de Cabo Verde estiveram em destaque em Gaia numa sessão que percorreu tradições, património cultural e alguns dos produtos mais emblemáticos do arquipélago. Entre o Queijo de Monte Grande, o Café do Fogo e os vinhos vulcânicos produzidos em solos marcados pela atividade do vulcão, o encontro revelou expressões distintivas da identidade cabo-verdiana e das ligações históricas que unem diferentes territórios atlânticos.

A iniciativa integrou o ciclo “Sabores e Paladares Ibéricos”, promovido pela La Vida Ibérica, em parceria com o El Corte Inglés de Gaia, e reuniu participantes interessados em conhecer projetos, tradições e produtos associados à valorização do património cultural cabo-verdiano. Sob o tema “De Santiago a Cabo Verde, as ilhas que são um mundo”, a sessão cruzou cultura, história e gastronomia cabo-verdiana, proporcionando uma visão abrangente da realidade contemporânea do arquipélago.

O ponto de partida para esta reflexão foi um momento particularmente significativo para Cabo Verde: a participação da Seleção Nacional no Campeonato do Mundo de Futebol de 2026. O feito foi apresentado como um reflexo da crescente projeção internacional do país e da valorização da sua identidade cultural, num contexto em que o reconhecimento externo se estende também ao turismo, à cultura e aos produtos locais.

Sabores de Cabo Verde e as ligações entre territórios atlânticos

Um dos temas centrais da sessão incidiu sobre a ligação simbólica entre o Caminho de Santiago e a ilha de Santiago, em Cabo Verde. A abordagem permitiu destacar afinidades históricas, culturais e identitárias entre diferentes geografias ligadas pelo Oceano Atlântico, evidenciando a circulação de pessoas, tradições e conhecimentos ao longo dos séculos.

Os Sabores de Cabo Verde surgiram neste contexto como uma das manifestações mais visíveis dessas heranças partilhadas, refletindo influências históricas que continuam presentes na cultura e nos hábitos das comunidades atlânticas.

Durante o encontro foi igualmente apresentada a nova ligação aérea direta entre a ilha de Santiago e a cidade do Porto, divulgada pela Cape Verde Global Business. A nova rota constitui um reforço das ligações entre os dois territórios, criando condições para uma maior aproximação turística, económica e cultural.

A componente patrimonial incluiu ainda uma mostra dedicada ao Panu di Téra, considerado um dos símbolos mais representativos da identidade cabo-verdiana. Classificado como Património Cultural Imaterial de Cabo Verde, este tecido tradicional continua a representar séculos de história, criatividade e resistência cultural.

Património e gastronomia cabo-verdiana em destaque

O programa contou com a participação de Elizandra Barbosa, da Cape Verde Global Business, e com a intervenção do professor Pedro Matos, da Associação Ka Djidja, responsável pela apresentação da Festa do Queijo e do Projeto de Certificação do Queijo de Monte Grande.

A iniciativa permitiu conhecer melhor um dos produtos mais emblemáticos da ilha do Fogo. Produzido numa região fortemente marcada pela atividade vulcânica, o Queijo de Monte Grande encontra-se atualmente integrado num processo de valorização e certificação que pretende reforçar o reconhecimento da sua autenticidade e das suas características diferenciadoras.

Ao longo da sessão foram igualmente apresentadas as potencialidades turísticas da ilha de Santiago, destacando-se o património histórico, a diversidade paisagística e a autenticidade cultural que contribuem para a crescente atratividade do território.

Neste contexto, a gastronomia cabo-verdiana foi apresentada como uma expressão da identidade cultural do arquipélago, refletindo influências históricas, práticas agrícolas, conhecimentos transmitidos entre gerações e a relação das comunidades com o território insular.

Sabores de Cabo Verde em destaque numa degustação de produtos emblemáticos

A componente gastronómica encerrou o programa com um cocktail de degustação dedicado aos Sabores de Cabo Verde, proporcionando aos participantes uma experiência centrada em alguns dos produtos mais representativos do arquipélago.

Entre os destaques estiveram o Queijo de Monte Grande e o Café do Fogo, comercializado sob a marca BURKAN, ambos associados a processos de valorização que procuram reforçar o seu posicionamento e reconhecimento.

Os Sabores de Cabo Verde foram igualmente representados pelos vinhos produzidos em solos vulcânicos da ilha do Fogo, com especial destaque para o tradicional Vinho Manecon. As características geológicas do território conferem perfis singulares a esta produção, contribuindo para a afirmação da vitivinicultura cabo-verdiana.

A presença destes produtos permitiu ilustrar a diversidade da gastronomia cabo-verdiana, cuja riqueza resulta da conjugação entre fatores históricos, geográficos e culturais que moldaram o desenvolvimento do arquipélago ao longo dos séculos.

Os Sabores de Cabo Verde assumiram, assim, um papel central numa sessão que cruzou património, cultura e tradição. Entre projetos de valorização, produtos identitários e novas oportunidades de intercâmbio, o encontro evidenciou a forma como a herança cultural cabo-verdiana continua a reforçar as ligações entre comunidades atlânticas e a projetar o arquipélago além-fronteiras.

Ao reunir património, tradição e produtos de referência, a sessão mostrou como os Sabores de Cabo Verde continuam a desempenhar um papel relevante na preservação da memória coletiva do arquipélago e na projeção internacional da sua identidade cultural.

aNOTÍCIA.pt

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