A Torre foi o ponto de viragem da Volta a Portugal. Na primeira grande batalha pela classificação geral, Alexis Guérin atacou a mais de dez quilómetros da meta, isolou-se na subida final e chegou ao alto da Serra da Estrela com a vitória na Etapa Rainha e a Camisola Amarela. O francês da Anicolor/Campicarn passou a liderar a prova depois de quatro dias em que os homens rápidos tinham dominado a discussão.
Uma fuga difícil de formar
A 4.ª etapa, entre Figueiró dos Vinhos e a Torre, confirmou desde cedo que a corrida entrava numa nova fase. A fuga demorou a consolidar-se e só depois da primeira meta volante bonificada, ganha por Rui Oliveira, então líder da geral, se formou o grupo que viria a chegar à subida final.
Entre os 11 fugitivos estava Rui Oliveira, acompanhado por Oscar Rota, Camisola Azul Continente da montanha, e Daniel Cavia, Camisola Laranja Galp dos pontos. Bruno Lemes, Tomas Contte, João Medeiros, Diogo Narciso, Francisco Pereira, Pedro Andrade, Andrey André e Jorge Lopez completaram o grupo.
Rui Oliveira voltou a somar bonificação no sprint de Silvares, enquanto Cavia foi o mais pontuado na Pampilhosa da Serra. Na montanha, Rota manteve a liderança depois de pontuar em Braçal e no Alto da Portela do Armodouro, sendo apenas superado por João Medeiros na Portela de Gavião.
O grupo manteve-se unido até ao início da subida decisiva, mas a Torre começou rapidamente a separar os corredores. A pendente e o ritmo imposto na frente fizeram desaparecer a vantagem dos fugitivos e trouxeram os candidatos à geral para o centro da corrida. A experiência e a leitura da corrida passaram então a ser decisivas.
Alexis Guérin escolhe o momento
Foi nesse cenário que Alexis Guérin encontrou o momento para atacar. O francês saiu a mais de dez quilómetros da chegada e aproveitou a hesitação do primeiro grupo perseguidor, onde seguiam Artem Nych, Jokin Murguialday, Pedro Silva e José Fernandes.
A vantagem cresceu progressivamente e chegou perto dos dois minutos. Alexis Guérin manteve o ritmo até à meta, enquanto Nych ainda tentou reduzir diferenças no final para terminar em segundo. O francês confirmou a vitória na Etapa Rainha e assumiu o comando da classificação geral.
A nova ordem da Geral ficou marcada pela diferença criada na Torre. Alexis Guérin passou a ter 1 minuto e 26 segundos sobre Artem Nych, seu colega de equipa e vencedor das duas últimas edições. José Fernandes surge em terceiro, a 1 minuto e 58 segundos do novo camisola amarela.
Uma Amarela com teste imediato
A liderança coloca Alexis Guérin numa posição de maior responsabilidade na prova, mas a Camisola Amarela terá já amanhã um primeiro teste, na 5.ª etapa da Volta a Portugal, um contrarrelógio individual de 17,4 quilómetros entre Anadia e Águeda.
Depois da exigência da Torre, o cenário será completamente diferente. O percurso plano poderá favorecer os especialistas no contrarrelógio e permitir recuperar segundos importantes, tornando a etapa de amanhã num novo momento decisivo para a classificação geral. Para os candidatos à vitória final, será a oportunidade de responder às diferenças criadas na Serra da Estrela.
“Estou muito contente, é uma vitória impressionante para a minha carreira e para a equipa. Trabalhámos muito para este tipo de montanha. A tática da equipa funcionou. Foi muito duro, mas estou muito contente porque a minha mulher e a minha filha estão aqui”, afirmou Alexis Guérin após a chegada.
A Torre entregou a Alexis Guérin a vitória e a Amarela, mas não uma margem de segurança. A 5.ª etapa coloca agora a liderança francesa perante um desafio de natureza diferente e pode voltar a aproximar os candidatos que a montanha separou. Na Volta a Portugal, a primeira grande batalha pela Geral terminou no alto da Serra da Estrela; a resposta chega já amanhã, contra o relógio.
Artigos relacionados:
Segunda etapa da Volta a Portugal: Mesa vence ao milímetro e Rui Oliveira mantém a Amarela
Rui Oliveira veste de Amarelo na 1.ª etapa da Volta a Portugal, ganha por Francisco Campos
Volta a Portugal: Julius Johansen é o primeiro Camisola Amarela da 87.ª edição


